terça-feira, novembro 29, 2005

D(e)u(s)bai



Aqui está um bonito espectáculo. Para quem não sabe é o Dubai, a estância turística mais luxuosa do momento. Logicamente o espectáculo é bonito mas não é natural, é o resultado de um megalómano projecto com fins exclusivamente turísticos.
Observado a grande distância é efectivamente bonito, mas se for pensada mais em pormenor talvez comece a perder beleza.
Talvez eu ainda veja, ou talvez já não, o dia em que vai acontecer uma enorme catástrofe natural que irá matar e desalojar e afundar a vida de milhões de pessoas que vivam nesta bonita obra. Nada obriga a que isso aconteça, mas nada me espanta se acontecer.
Nessa altura tenho a certeza que toda a gente se irá perguntar onde é que está Deus, e porque é que Ele faz estas coisas. O cenário é familiar. Mas por agora, enquanto se está a incomodar a natureza com toda a força que o dinheiro permite, ninguém se preocupa em saber o que Deus pensa do assunto.
É bem sabido que nas zonas onde mais pessoas foram afectadas pelo famoso tsunami existiam grandes dunas a separar o mar da terra e que as pessoas fizeram questão de destruir para poder construir casas em cima da praia.

Como alguém muito sábio disse: "Somos livres na escolha mas prisioneiros das consequências".
Se uma escolha que fazemos não tem nada a ver com Deus, se não é por Deus nem com Deus nem em Deus, não é coerente esperar que Deus tenha a ver com as consequências.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Sentado



Apetece-me dizer que grande parte dos cristãos deviam pedir perdão a Deus (e a si próprios) por duas coisas. A primeira por se permitirem o mau sofrimento, aquele que não é causa/consequência de crescimento mas sim de limitação. A segunda por usarem palas que só lhes permitem ver as coisas pela física.
Isto a propósito de..

Não consigo compreender muito bem porque é que quando morre um rapaz, os pais e os familiares e amigos ficam extremamente desgostosos com a situação. Mas se, por exemplo, o rapaz entrar para os monges da cartuxa, dependendo um bocado das pessoas, ficam apenas entre ligeiramente insatisfeitos e profundamente satisfeitos.
Em qualquer um dos casos as pessoas em questão nunca mais poderão ver o rapaz senão nas imagens que possam recordar, nem nunca mais poderão falar com ele senão em oração. E no entanto as reacções são diferentes.
Qual seria a diferença efectiva para estas pessoas se o rapaz dissesse que tinha morrido e tivesse entrado para a cartuxa ou dissesse que tinha entrado para a cartuxa e tivesse morrido?
É o facto de saber que existe um pedaço de carne e osso, mesmo que não se veja ou se sinta, que faz as pessoas mais felizes? Ou será o facto de se saber que a entrada na cartuxa tem possibilidade de voltar a trás e a morte não, sendo assim a felicidade baseada no conforto de uma expectativa hipotética a vida inteira?

Bem me quer parecer que a fisica do corpo não é assim tão significativa como se faz crer. Tanto podemos sentir viva uma pessoa que não vemos nem tocamos com sentir morta uma que vemos e tocamos.
Então afinal de onde vem o sofrimento das pessoas? ou porque surge? e para quê?
E não estou a negar que é real ou involuntário. Mas quantas coisas involuntárias dependem da nossa visão distorcidade e equivocada da realidade...


(Quem quiser saber mais sobre os monges da cartuxa )